📝RESUMO DA MATÉRIA
- O zumbido afeta 14% da população mundial, causando ruídos persistentes no ouvido, como o toque de um sino ou um chiado, mesmo sem sons externos. As causas comuns incluem perda auditiva, exposição prolongada ao ruído, infecções de ouvido e determinados medicamentos.
- Estudos recentes revelam relações complexas entre o sono e os sintomas de zumbido, em que cochilos aumentam a intensidade do zumbido e prejudicam a qualidade do sono.
- Um estudo de fevereiro de 2023 descobriu que pacientes com zumbido intermitente durante o sono (SIT) apresentaram sono REM bastante reduzido, o que se correlaciona com maiores oscilações nos sintomas de zumbido.
- Para ter um sono REM sem interrupções e controlar melhor o zumbido, otimize seu ambiente de sono minimizando a exposição a campos eletromagnéticos (CEM), mantendo o quarto fresco e incluindo sons relaxantes, como o ruído rosa.
- Proteja sua audição limitando a exposição a ruídos, usando protetores auriculares, reduzindo o uso de aparelhos de áudio pessoais e fortalecendo a saúde auditiva com nutrientes como magnésio, vitamina C e CoQ10.
🩺Por Dr. Mercola
O zumbido é uma condição que afeta uma grande parte da população, caracterizada pela percepção constante de ruído ou um som de sino nos ouvidos. Esse som se manifesta de várias maneiras, como zumbidos, chiados, assobios ou estalos, variando em tom e volume. Em vez de ser uma doença em si, o zumbido é um sintoma de um problema subjacente no sistema auditivo.
Uma das causas mais comuns do zumbido é a perda auditiva, que costuma ser resultado da exposição prolongada a ruídos altos e danifica as células ciliadas do ouvido interno. Células ciliadas cocleares danificadas enviam sinais irregulares ao cérebro, que as interpreta como som mesmo sem a presença de sons externos. Outros fatores responsáveis pelo problema incluem infecções de ouvido, acúmulo de cera, mudanças auditivas relacionadas à idade, doença de Ménière, distúrbios da articulação temporomandibular (ATM) e certos medicamentos.
De acordo com uma pesquisa publicada no JAMA Neurology, o zumbido afeta cerca de 14% da população mundial, sendo que 2% apresentam sintomas graves. Apenas nos Estados Unidos, o impacto financeiro do zumbido ultrapassa 15 bilhões de dólares por ano, incluindo custos médicos diretos e custos indiretos, como queda na produtividade. Em 2020, mais de 2,3 milhões de veteranos americanos receberam indenização por problemas ligados ao zumbido, totalizando cerca de 2,75 bilhões de dólares em despesas.
Além do desconforto imediato, o zumbido pode provocar problemas de saúde mental em longo prazo e reduzir a qualidade de vida. O zumbido crônico está associado a taxas mais altas de ansiedade, depressão e insônia, criando um ciclo vicioso que agrava o problema. É surpreendente que, para algumas pessoas, os cochilos aumentam ainda mais o zumbido, uma relação intrigante explorada em pesquisas recentes.
Novo estudo revela ligação entre cochilos e a modulação do zumbido
Um estudo polissonográfico recente, publicado na Hearing Research, investigou se os cochilos afetam a intensidade do zumbido e quais razões fisiológicas explicariam essas mudanças. Os pesquisadores observaram 37 participantes que percebiam o zumbido mais alto com frequência depois de cochilar. Ao longo de dois dias, cada participante cochilou seis vezes em um ambiente clínico controlado, para verificar qualquer mudança na intensidade do zumbido.
As descobertas mostraram que todo cochilo, independentemente do horário, gerou um aumento perceptível na intensidade do zumbido. No entanto, esse aumento não foi permanente, pois os níveis de zumbido também apresentaram uma queda significativa entre os cochilos. O interessante é que o primeiro cochilo do dia, normalmente perto do horário de almoço, causou o maior aumento de volume em comparação aos cochilos subsequentes.
Também foi descoberto que o ronco e eventos de apneia do sono durante os cochilos estão correlacionados às alterações no zumbido. Participantes que roncavam mais alto ou com mais frequência apresentaram aumentos maiores no volume do zumbido, indicando que esses distúrbios do sono contribuem para a modulação do zumbido.
Os mecanismos biológicos por trás dessas alterações parecem estar ligados aos músculos que mantêm as vias aéreas abertas, os quais, quando afetados, impactam os nervos relacionados à audição. Contudo, os resultados não demonstraram uma ligação direta entre a sensibilidade muscular na mandíbula e no pescoço e as mudanças no zumbido, sugerindo que outros fatores estejam envolvidos.
Além disso, o estudo descobriu uma forte ligação entre a duração dos estágios de sono durante os cochilos e as mudanças no zumbido. Em especial, períodos mais longos em sono leve (N2) e sono profundo (N3) foram associados a aumentos maiores na intensidade do zumbido, destacando a importância da duração dos estágios do sono em como os cochilos afetam essa condição.
A interrupção do sono REM intensifica os sintomas do zumbido
Aprofundando a conexão entre sono e zumbido, um estudo de fevereiro de 2023 publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health investigou como o sono REM (movimento rápido dos olhos) afeta indivíduos com zumbido intermitente durante o sono (SIT), um subgrupo de pacientes com variações significativas na intensidade do zumbido durante o sono ou cochilos.
O estudo incluiu 30 participantes, divididos em dois grupos: 15 pacientes com SIT, que percebiam variações claras no zumbido durante o sono, e 15 pacientes controle com zumbido estável, não afetado pelo sono. Os dois grupos foram pareados com cuidado, com base em idade, gênero, grau de perda auditiva e impacto do zumbido na qualidade de vida, para garantir comparações precisas.
Os resultados mostraram que pacientes com SIT tiveram bem menos sono REM em comparação ao grupo de controle. Em média, o sono REM representou apenas 15,9% do tempo total de sono, o que é menor do que os 20% típicos esperados em pessoas saudáveis. Essa redução na duração do sono REM está correlacionada com as flutuações na intensidade do zumbido, sugerindo que o sono REM prejudicado tem um papel importante na modulação dos sintomas do zumbido durante o sono.
O estudo também ressaltou uma diferença marcante em como os cochilos e o sono noturno afetam essa condição. Pacientes com SIT apresentaram mudanças mais frequentes na intensidade do zumbido após cochilos em comparação aos controles, indicando que até períodos curtos de sono durante o dia afetam bastante os níveis de zumbido.
Após o sono noturno, pacientes com SIT apresentaram tanto aumentos quanto diminuições no zumbido, enquanto os cochilos só causaram aumentos, evidenciando dinâmicas diferentes na modulação, dependendo do horário e do tipo de sono.
Pacientes com SIT também relataram menos rigidez no pescoço e problemas de mobilidade cervical em comparação ao grupo de controle. Essas diferenças influenciam a postura e a mecânica do sono, o que interfere na forma como o zumbido é modulado. Além disso, os pesquisadores observaram que a redução do sono REM em pacientes com SIT prejudica o processamento emocional e cognitivo que costuma ocorrer nesse estágio do sono, aumentando a percepção do zumbido.
No geral, as descobertas ressaltam a importância do sono REM no controle do zumbido. Ao mostrar a associação direta entre a deficiência de sono REM e a modulação dos sintomas, o estudo evidencia pontos de intervenção terapêutica voltados a melhorar a qualidade do sono para aliviar o desconforto do zumbido em pacientes com SIT.
Melhore seu sono com estas soluções naturais para controlar o zumbido
Como interrupções do sono e baixa qualidade do sono agravam os sintomas do zumbido, é fundamental criar um ambiente de sono que proporcione descanso ininterrupto e restaurador. Aqui estão estratégias práticas para melhorar o sono e obter alívio:
1. Combata o estresse e a ansiedade: incorpore terapia cognitivo-comportamental (TCC) e técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou yoga, na sua rotina para reduzir o estresse e lidar melhor com o desconforto causado pelo zumbido.
Combine isso com musicoterapia que use paisagens sonoras relaxantes, a fim de reeducar a resposta do seu cérebro ao zumbido e, ao mesmo tempo, reduzir os níveis de estresse. Para um alívio maior, experimente as Técnicas de Libertação Emocional (EFT), um método eficaz para reduzir o estresse e promover relaxamento.
2. Otimize seu quarto para um sono profundo e reparador: remova fontes de radiação de campos eletromagnéticos (CEM) do seu quarto, pois pesquisas apontam uma relação clara entre sensibilidade a CEM e zumbido. Use ruído rosa, como som de chuva ou de cachoeira, para mascarar o zumbido e promover relaxamento.
Manter seu quarto escuro e fresco, entre 15°C e 20°C, também ajuda seu corpo a atingir estágios mais profundos de sono. Colchões e travesseiros confortáveis e de suporte também são essenciais. Tente trocar seu colchão a cada nove ou 10 anos.
3. Limite a exposição à luz azul antes de dormir: a luz azul emitida por celulares, tablets e computadores interfere na sua capacidade de adormecer. Evite usar esses dispositivos pelo menos uma hora antes de se deitar. É melhor realizar atividades relaxantes, como ler um livro ou praticar meditação mindfulness. Reduzir a intensidade das luzes à noite também sinaliza ao seu corpo que é hora de relaxar, melhorando a qualidade do sono.
4. Preste atenção à sua posição de dormir: o ronco posicional, que costuma acontecer ao dormir de costas, piora os sintomas do zumbido ao atrapalhar o fluxo de ar e a qualidade do sono. Durma de lado para reduzir o ronco e promover um descanso ininterrupto.
5. Exercite-se todos os dias: a prática regular de exercícios melhora a saúde em geral e a qualidade do sono. Mas evite se exercitar nas três horas anteriores ao horário de dormir, pois o cortisol liberado durante as atividades atrapalha a produção de melatonina. Procure se exercitar mais cedo para maximizar os benefícios sem prejudicar o sono.
Dicas para proteger sua audição
Além de priorizar um sono ininterrupto, cuidar dos seus ouvidos e reduzir a exposição a ruídos prejudiciais é fundamental para controlar o zumbido de forma eficaz. Aqui estão algumas dicas práticas para proteger sua audição: